Olimpíada da Língua Portuguesa: crônica lembra a chegada e a partida dos trens em Quatis

Quarto lugar na etapa estadual da Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, a crônica “Trilhos esquecidos”, da estudante Thayná Mafra (segunda da esquerda para a direita, na foto), aluna do oitavo ano do ensino fundamental da Escola Municipal Maria Helena Rafael De Elias (Centro de Quatis) retrata em suas linhas o dia a dia da cidade quando os trens paravam e partiam da estação ferroviária do bairro São Benedito. Segue a integra da crônica:

“Parada diante da estação ferroviária de Quatis, observo as marcas que o tempo deixou. Não gosto do que vejo, mas me encanto com o que imagino. Aproximo-me, sentando no chão frio, contemplando cada espaço daquilo que um dia foi a porta de entrada da cidade.  

        Guiada pela minha saudosa e acolhedora imaginação, vejo o vai e vem angustiado das pessoas pela plataforma, reuniões de famílias que se desfazem e se despedaçam em tristes despedidas, ou ainda, reuniões que celebram a chegada de uma nova oportunidade. Noto os abraços e beijos trocados a cada chegada ou partida, percebendo que entre um carinho e outro, estranhas sensações se misturam, despertando-me para a certeza de que representam início ou fim.

        Sem me assustar com a buzina do trem ou me engasgar com a fumaça por ele exalada, continuo a minha observação, percebendo que a saudade instalada naquela plataforma, para uns, não duram mais que algumas sacrificadas horas, tempo suficiente para a labuta cotidiana, que se encerra na volta pra casa.

        E entre embarques e desembarques vou assistindo ao espetáculo da vida. Vou testemunhando encontros e desencontros, vou provando a minha capacidade de chorar e de estar pronta e refeita para a emoção dos sorrisos. Vou contemplando o crescimento de Quatis.

        Entretanto a imaginação não tem o dom da eternidade. Quando ela se encerra, encaro a triste e penosa realidade: não há mais Estação Ferroviária, não há trem, não há pessoas! Não há mais histórias, não há mais beijos ou abraços apertados! O que se vê são carros e motos cruzando a passagem sobre trilhos, exclusividade que um dia foi dos trens. Em substituição ao trânsito de pessoas na plataforma da estação, nota-se o caminhar tranquilo e sossegado de pombos e ratos.

        Não havendo mais trens, aos poucos, vai se aceitando que não haja mais a Estação Ferroviária. O abandono vai consumindo a sua beleza, as ruínas vão escondendo a sua importância, o descaso vai enterrando as histórias que marcaram.

        Se refletirmos com a serenidade dos isentos, perceberemos que a vida também é assim. Estando jovens e cheios de saúde, vários familiares e amigos nos querem por perto, mas envelhecidos e sem possibilidade de servir, somos abandonados por todos que nos rodeavam. A essa sorte de envelhecimento que está entregue a querida e saudosa Estação Ferroviária de Quatis”.

 

 

 

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