Olimpíada da Língua Portuguesa: texto de aluna da escola de Falcão leva leitor ao passado do distrito

Com o texto “Doces lembranças de infância”, a estudante matriculada na Escola Municipal Carlos Campos de Faria (Falcão), Emanuelly de Fátima Martins Viçoso Silva (primeira da esquerda para a direita), entrevistou a mãe Tatiana de Fátima Martins da Silva, que narrou passagens da  sua infância neste distrito da zona rural de Quatis. O trabalho concorreu na categoria “Memórias Literárias” da Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, e foi um dos três selecionados no âmbito municipal. Leia a íntegra do texto:

        “Quando criança, morei em uma casa bem antiga de cimento, o chão de madeira lembrou-me de que minha mão encerava com cera feita em casa, de vela e querosene. Na cozinha, o chão era vermelhão, minha mãe fazia questão de encerar com cera vermelha para ficar bem bonita, a cozinha dela era um brilho, não tinha enceradeira, era no pé mesmo, usava um pano para dar brilho. Eu gostava muito do dia de encerar, por que brincávamos no pano de carrinho e enquanto estávamos  brincando, a cozinha, assim como a casa, ficava linda. Era tudo muito simples, éramos muito pobres, mas fui uma criança muito feliz.

Tinha muito amigo, brincávamos de casinha, de subir em árvores, de pique-esconde e muitas outras brincadeiras. Não tínhamos muitos brinquedos comprados, tudo era feito por nós. Um fato que me lembro bem é que não brigávamos como hoje vejo crianças brigarem, nosso grupo era muito unido.

Com certeza foi uma das crianças mais bagunceiras de Falcão, qualquer pessoa mais velha pode confirmar esse fato. Fiz tanta arte que se fosse escrever seriam páginas e mais páginas, já entrei debaixo da batina do padre, já agarrei a calça em latas grandes de ferro, saquinhos plásticos, quase morri engasgada com bala e moeda, subi nos galhos mais altos das árvores, mas nunca cai, ficava esperando chegar visita em casa e oferecia água, quando as visitas aceitavam eu pegava água do vaso para dar, minha mãe já sabia que eu faria isso e já ia atrás de mim. Caí na enchente do ribeirão, me afoguei na cachoeira. Essas são as artes mais leves, as mais perigosas nem dá pra escrever.

Na escola sempre fui boa aluna, mas não gostava de ficar sentada na sala de aula não, andava o tempo todo, os professores tiveram muita paciência comigo. Fui uma aluna do professor Luiz Alberto, ele sabe o quanto trabalho dei.

Naquela época aqui em Falcão era cheio de mato, as ruas eram todas de terra, tinham poucas casas e passavam poucos carros, mesmo assim éramos muito felizes, sabíamos que tínhamos uns aos outros. Falcão sempre foi um lugar agradável  e com ar puro, sem poluição, eu me sentia nas nuvens. Lembro-me de que pescava no Ribeirão São Domingos, mesmo com esgoto, era limpo.

Da minha infância só carrego essas lembranças, dos amigos que fiz das brincadeiras que brinquei lembranças do lugar maravilhoso que cresci que é aqui, lugar que amo tanto e que escolhi para criar minhas filhas e viver minha vida”.

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